Plano CV cota 8,1999528 | Plano PAI I cota 1,4777815 | INPC 0,21% | Poupança 0,37% Dados Abril
SUSTENTABILIDADE

`Creche´ é lugar também para idosos

10/09/2012

Pedrinhas coloridas, cola e madeira preenchem as tardes de Mirtes, Dinha e Virgínia. Elas se tornaram amigas nas aulas de mosaico e se divertem ainda em oficinas de pintura e rodas de música. Mais do que brincadeiras, as atividades são um exercício mental e corporal para elas. As três usufruem de uma nova tendência em Belo Horizonte, as ‘creches’ para idosos ou centros-dia, como chamam os especialistas.

O espaço já virou moda em São Paulo e vem se firmando na capital mineira. Alguns pontos já existem há mais de dez anos por aqui. Outros funcionavam apenas como asilo e, hoje, oferecem também diárias.
"A concepção do envelhecimento ativo está se espalhando entre nós. Com isso, há um movimento no mercado de criação desses centros", diz Sônia Maria Soares, doutora em saúde pública e integrante do Conselho Municipal do Idoso.

As `creches´ são voltadas para o público acima de 60 anos. A maioria dos frequentadores está na faixa dos 80 e apresenta sinais leves ou moderados de alguma doença degenerativa, como o Alzheimer. "Nossa intenção é prolongar as funcionalidades cerebrais e a qualidade de vida do idoso", explica a neuropsicóloga Karen Faviotti, dona do Integrarte - Solar da Maturidade.

Para atender o cliente de acordo com as suas necessidades, ele passa primeiro pela avaliação de uma equipe multidisciplinar, que define quais atividades ele deve desenvolver. Na lista de opções, estão aulas de dança, música, pilates, fisioterapia, fonoaudiologia, ginástica, arteterapia, jogos de memória, oficinas de culinária e escrita e artesanato.

Entre os atrativos, há ainda van para transporte, que leva e traz o idoso todos os dias. "É uma forma de incentivar a presença. Cobramos mais barato do que táxi, revela Karen. Já o preço completo do serviço, com base em pesquisa feita em três centros-dia da capital, varia entre R$ 330 (para quem vai só uma vez por semana) a R$ 2.800 (todos os dias). "A demanda é tão grande que tem época que ficamos sem vagas", conta Ivana Amâncio, dona do espaço de convivência Maioridade.

Benefícios. O sorriso de Mirtes Correia Neto de Faria, 79, traduz os benefícios do tratamento. "Antes eu não fazia nada em casa. Agora, eu pinto e bordo", comenta Mirtes, esbanjando felicidade e talento no mosaico. O médico geriatra Flávio Chaimowicz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que as atividades são importantes para a saúde física e mental. "Só de sair um pouco de casa, o idoso já reduz o risco de ter osteoporose e melhora o controle de várias doenças, como hipertensão e diabetes", ressalta o médico.

Do ponto de vista mental, as creches ajudam a evitar, por exemplo, a depressão e a insônia. Mas o médico pondera: "O ideal é que os centros permitam o convívio entre várias gerações. A interação é necessária".


Atividades melhoram ainda o convívio no ambiente familiar
Além dos benefícios para a saúde dos idosos, os centros-dia também tendem a proporcionar melhoras no ambiente doméstico, segundo especialistas. A geriatra Karla Giacomin, presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, diz que esses espaços garantem o "respiro" dos familiares.
"Sabendo que o ente querido está em um espaço seguro, com pessoas tranquilas, a pessoa consegue cumprir seus compromissos e fazer atividades que ela não poderia fazer se o idoso estivesse em casa, sob seus cuidados", afirma Karla.


Ela acredita que essa liberdade aumenta a chance da família permanecer cuidando do vovô e da vovó por mais tempo, sem precisar levá-lo para um asilo. No caso da família de Maria Edercília da Silva, 88, a ‘creche’ só trouxe resultados positivos. A neta de Edercília, Flávia Reis Nunes Silva, 24, conta que a avó precisou ir para um centro-dia depois que a família se mudou de uma casa para um apartamento. "Antes, ela vivia no portão, conversando com os vizinhos. Depois, não dava mais para ela fazer isso, o que a deixou inquieta e deprimida", comenta
Flávia.


A solução foi colocar a avó em contato com outras pessoas. "Foi também recomendação médica, já que ela tem princípio de Alzheimer. Agora, a família está mais tranquila". (O Tempo-09.09)